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CORRELATION BETWEEN
URINARY FLOW RATE, QUALITY OF LIFE AND INTERNATIONAL PROSTATE SYMPTOM
SCORE [I-PSS] IN PATIENTS WITH BENIGN PROSTATIC HYPERPLASIA (BPH)
PEDRO N. DA LUZ
JUNIOR, WALTER J. KOFF, MILTOM BERGER, RAFAEL L. BOENO, GUSTAVO TONIAZZO,
BRASIL SILVA NETO
Division
of Urology, Porto Alegre General Hospital, Federal University of Rio Grande
do Sul,
Porto Alegre, RS, Brazil
ABSTRACT
Purpose:
This study aimed to find a correlation between urinary flow rate, quality
of life and I-PSS.
Material and Methods: A total 288 with benign
prostatic hyperplasia (BPH), who showed inferior urinary tract symptoms
and had increased prostate volume, was studied. They answered a translated
and validated version of the I-PSS questionnaire during individual sessions
at the urology outpatient unit, without the intervention of the researchers.
In addition, they had their urinary flow rate evaluated in two different
occasions, with a period of one week between the two exams. In the data
analysis, the maximum urinary flow rate (Qmax) was correlated with the
score of symptoms obtained in each session. The data collected in the
second session, regarding I-PSS scores, quality of life and maximum flow
rate were statistically correlated.
Results: The correlation between I-PSS and
Qmax was found to be low, but statistically significant (r = - 0.223,
p < 0.05). Even when the sample was stratified according to the degree
of severity of symptoms (low, moderate or severe), no significant correlation
was found in any groups. The correlation between I-PSS and the quality
of life was significant (r = 0.664, p < 0.001), which showed that patients
with more severe micturition complaints reported poorer quality of life.
Conclusion: The degree symptoms severity
in the inferior urinary tract has a direct impact on the quality of life
in BPH patients, but it has a low correlation with maximum urinary flow
rate. Micturition symptoms and urinary flux rate are determined by distinct
variables; therefore, they should be analyzed in independent ways.
Key words:
prostatic hyperplasia; flowmetry; urodynamics; quality of life
Braz J Urol, 27: 353-357, 2001
INTRODUÇÃO
A
hiperplasia prostática benigna (HPB) é doença de
alta prevalência e freqüente causa de morbidade em homens após
os 50 anos de idade, sendo a ela atribuída a grande maioria dos
sintomas do trato urinário inferior (STUI) (1). Os métodos
de avaliação da HPB, objetivos e subjetivos, são
utilizados não só no diagnóstico, mas também
na indicação terapêutica e no acompanhamento dos pacientes.
Os métodos objetivos mais utilizados são urofluxometria,
medida do resíduo urinário e estudo pressão/fluxo.
Dentre eles, o mais empregado é a urofluxometria, principalmente
pela sua natureza não invasiva e sua viabilidade através
de urofluxômetros modernos e de boa sensibilidade (2).
Na prática clínica, não
se utilizam estudos urodinâmicos complexos e tampouco biópsias
para indicar o tratamento para um paciente. Baseamo-nos, fundamentalmente,
nas queixas miccionais apresentadas pelo paciente. Essas são subjetivas
e interferem de forma diversa na qualidade de vida de cada indivíduo
(3).
Considerando a importância dos sintomas
como fator primordial na indicação do tratamento da HPB
e a falta de uma sistematização de critérios para
indicar o tratamento, assim como para comparar resultados dos diversos
tratamentos em diferentes países, a Associação Americana
de Urologia desenvolveu um questionário para avaliar STUI que,
em 1991, ao ser anexada com uma questão sobre qualidade de vida,
passou a se chamar I-PSS (4).
Esperar-se-ia que, na vigência do
tratamento, a melhoria dos padrões objetivos de avaliação
fosse acompanhada da melhoria dos sintomas clínicos, o que, no
entanto, não foi observado em alguns pacientes (5,6) e nos levou
a estudar melhor a correlação entre urofluxometria, I-PSS
e qualidade de vida.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram
avaliados, consecutiva e prospectivamente, 288 pacientes, com idade de
50 anos ou mais e diagnóstico clínico de HPB, ou seja, próstata
aumentada pelo toque retal, que procuravam o ambulatório de urologia
com algum dos sintomas do trato urinário inferior. A coleta dos
dados ocorreu no período de 1 de novembro de 1996 a 31 de maio
de 1998.
Na primeira consulta, os pacientes realizaram
urofluxometria e responderam ao questionário, devidamente validado
para a língua portuguesa (7), individualmente e sem intervenção
dos pesquisadores. Uma semana depois, retornaram ao ambulatório
para que fossem repetidos os mesmos procedimentos.
Foram excluídos do estudo os pacientes
com diagnóstico ou história prévia de estenose de
uretra, retenção urinária, bexiga neurogênica,
neoplasia de próstata suspeita ou confirmada (nódulo duro
ao toque, PSA maior que 4 ng/ml), cirurgia de próstata e cirurgias
pélvicas de grande porte. Também foram excluídos
os indivíduos com deficiência mental ou visual severas, ou
que não concordaram em participar do estudo.
Na aferição dos dados, a medida
de fluxo máximo (Qmax) foi correlacionada com o escore obtido no
momento correspondente. O fluxo máximo foi medido através
de urofluxômetro de disco modelo urodyn, tipo 22G03, fabricado pela
Dantec. O exame foi realizado em ambiente privado, e o paciente apresentava
algum desejo miccional. Foram desconsiderados os exames cujo volume urinário
foi menor que 150 ml ou maior que 500 ml e, para as análises estatísticas
de correlação, optamos pelas medidas de Qmax e I-PSS realizadas
durante a segunda visita (5,6). Para a análise dos dados utilizamos
o coeficiente de correlação de Pearson; o nível de
significância adotado foi de a = 0.05.
RESULTADOS
Da
amostra de 288 pacientes, 38 não compareceram para a segunda visita
e, destes, 69 pacientes foram excluídos da análise de urofluxometria
por terem volume urinário maior que 500 ml ou menor que 150 ml.
Portanto, a correlação de I-PSS e a questão sobre
a qualidade de vida foram analisada em 250 pacientes e I-PSS e a urofluxometria
em 181 pacientes. A idade média dos 250 pacientes foi de 64.8 anos,
variando entre 51 e 84 anos.
Constatou-se que houve significativa, porém
baixa, correlação entre escore total de sintomas e fluxo
máximo (r = - 0.223 e p < 0.05). Mesmo quando estratificamos
a amostra, conforme a severidade de sintomas, em leve (r = - 0.172 e p
= 0.316), moderado (r = - 0.187 e p = 0.09) e severo (r = - 0.124 e p
= 0.32), observamos que não houve correlação significante
em nenhum dos grupos.
A correlação entre escore
total de sintomas (I-PSS) e questão sobre qualidade de vida foi
significativa (r = 0.664 e p < 0.001). Os pacientes com queixas de
STUI mais severas referiram pior qualidade de vida.
DISCUSSÃO
Até
o presente momento, os estudos brasileiros utilizavam o escore em português
simplesmente através da tradução literal, a partir
do original em língua inglesa. O escore ainda não tinha
sido submetido à validação transcultural e psicométrica
na língua portuguesa. Neste trabalho, utilizamos o escore I-PSS
em português devidamente validado (7).
Netto et al., em 1993, publicaram estudo
sobre 104 pacientes com idade entre 40 e 94 anos e STUI. Utilizou o escore
I-PSS somente traduzido e não encontrou diferença significativa
nas respostas, quando o questionário era auto-administrado pelo
paciente ou respondido com o auxílio do médico entrevistador.
Também concluiu que a faixa etária e a escolaridade não
comprometiam a aplicação de escores clínicos (8).
Em nosso estudo orientamos que, quando o paciente apresentasse dificuldade
para responder o questionário, deveria receber o auxílio
de familiar ou acompanhante e não dos pesquisadores, já
que estes estariam envolvidos na realização da urofluxometria.
O conhecimento prévio de uma das variáveis pelo pesquisador
poderia vir a ser fonte de viés na coleta dos dados.
Barry et al., em 1995, analisaram repetidos
I-PSS e Qmax encontrando variações de até 4.9 pontos
no I-PSS e 4.1 ml/s de Qmax. Alertaram para o perigo de se realizar apenas
uma medida desses dados para uma decisão terapêutica (9).
Em nosso trabalho, realizamos as medidas de urofluxometria e administramos
o questionário de sintomas sempre em duas ocasiões. Optamos
pela análise dos dados coletados na segunda visita, porque acreditamos
que, nesse momento, os pacientes teriam maior familiaridade com o questionário
e com o equipamento de urofluxometria.
Em nossa análise de dados, encontramos
significativa correlação entre I-PSS e qualidade de vida
(QL) (r = 0.664 e p < 0.001), coincidindo com os dados de Bosch et
al. e Sagnier et al. (5,10). Isso sugere que a intensidade dos STUI é
fator importante na determinação da qualidade de vida do
paciente com HPB.
Na década de 70, vários autores
já questionavam a correlação entre sintomas e fluxo
miccional, mas não havia um questionário devidamente validado
ou, estão, foram utilizados outros que não o I-PSS.
Estudos mais recentes, como os de Barry
et al. (3), Bosch et al. (5), Ko et al. (11) e Batista-Miranda et al.
(12), que já utilizaram o I-PSS como medida de severidade de sintomas,
não encontraram correlação entre escore e fluxo máximo.
Somente nos estudos de Garraway et al. (1) e Chute et al. (13) a correlação
foi significante, porém baixa como em nossos resultados. Nesses
trabalhos, também foram excluídos pacientes com volume urinado
menor que 150 ml ou maior que 500 ml. Provavelmente, essa discordância
de dados da literatura deve-se, basicamente, à seleção
dos pacientes. De qualquer modo, tanto nos dados de literatura como em
nossos resultados, existe o consenso de que a correlação
de fluxo máximo e sintomas (STUI), quando existente, é muito
baixa, e esses parâmetros devem ser considerados de forma independente.
O conhecimento de um parâmetro não permite inferir sobre
o outro.
Clínica e intuitivamente, acreditávamos
que HPB era a causa básica de obstrução infravesical
e dos sintomas anteriormente denominados de prostatismo (14). Hoje sabemos
que HPB é doença complexa e nem sempre a obstrução
e os sintomas aparecem juntos.
Quando analisamos cada questão do
I-PSS de forma independente e correlacionamos com fluxo máximo,
os resultados também não diferem dos anteriores. Ou seja,
quando existe a correlação é baixa. Mesmo quando
analisamos, isoladamente, o sintoma jato fraco que corresponde
à questão número 6 do escore I-PSS, e, inicialmente,
pensávamos referir-se especificamente a fluxo, encontramos uma
correlação que apesar de significante, foi baixa (r = -
0.192 e p = 0.010). Isto nos leva a crer que a simples impressão
de jato fraco, percebida e declarada pelo paciente através do I-PSS,
não corresponde aos achados objetivos medidos através da
urofluxometria. Os demais sintomas como hesitação (Q1),
micção incompleta (Q2), intermitência (Q4) e noctúria
(Q7) também não demonstraram correlação com
fluxo máximo tanto em nossos dados como nos de outros autores (5,15).
Estudos futuros ainda devem determinar a
verdadeira origem dos STUI. Até lá, os testes objetivos
com parâmetros anatômicos e, principalmente, fisiológicos
relacionados com HPB, ainda são indispensáveis.
CONCLUSÃO
A
severidade dos sintomas (STUI), medida através do I-PSS, em língua
portuguesa tem, apesar de significante, baixa correlação
com os valores de fluxo máximo em pacientes com diagnóstico
clínico de HPB, pois, sintomas miccionais e fluxo urinário
são determinados, provavelmente, por variáveis diferentes.
A correlação entre o escore
total I-PSS e a questão sobre qualidade de vida sugere que o tratamento
dos sintomas melhore significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
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Received: October 9, 2000
Accepted after revision: July 2, 2001
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